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Mas não é só essa. A lista é tão grande(...). A miséria em queda foi apresentada pelo Governo como um grande fato, mas o que se viu não foi a redução da miséria. O que os documentos mostraram nas pesquisas feitas por órgãos importantes, como a FGV e o Ipea é que houve um aumento na renda da população mais pobre no valor de R$6,00.
Primeiro, aumento na renda em si não significa redução da pobreza, a não ser que seja tirando na loteria. Um aumento de 10%, 15%, 20%, 30%, 50%, 100% na renda de uma população muito pobre não a tira da pobreza. O que tira da pobreza é uma melhora de 100% na qualidade da escola, é uma melhora de 100% no atendimento da saúde, é uma melhora de 100% no atendimento de água e esgotos. Além disso, dizer que um aumento de R$6,00 é uma redução da pobreza é uma mentira publicitária querendo enganar a população. E essa mentira é uma forma de corrupção tão grave quanto pegar dinheiro do setor público e usar para pagar mensalão!
Eu nem quis aqui comentar as vantagens e desvantagens do programa assistencial da Bolsa-Família, quis aqui comentar a corrupção ao se dizer que esse programa vai reduzir a pobreza. Ele assiste aos pobres e, nesse sentido, não há por que criticar. Mas a minha crítica é por se dizer que ele vai resolver o problema da pobreza.
Resolveria se, como a Bolsa-Escola era, vinculasse isso a uma melhora na qualidade da educação dos filhos dessas famílias.
Para continuar listando (...), queria lembrar que é, sim, um grave ato de corrupção fazer promessas que não podem ser cumpridas depois de ganhar-se uma eleição. E esse não é um privilégio do atual Governo, mas no atual Governo temos de denunciar.
Nós não estamos vendo o cumprimento do programa feito na campanha, não estamos vendo isso nas áreas a que nos propúnhamos - este País inteiro - dar o voto ao Presidente Lula, não estamos vendo o Brasil caminhar para sair do seqüestro daqueles que recebem recursos públicos, saindo também da partição, da divisão de uma minoria privilegiada como nós e uma imensa maioria pobre. E essa maioria pobre não vai sair da pobreza a partir apenas desses projetos.
Não vimos o cumprimento da idéia de que toda criança tem direito a uma vaga na ecola a partir dos 4 anos, não vimos o cumprimento de que os professores no País merecem ter um salário satisfatório, que os ponha na categoria dos mais bem remunerados e, então, exigir deles a dedicação ao produto, que é a criança educada.
Da mesma maneira, é uma mentira que é dita e repetida em publicidade na televisão, aliás, uma mentira que vem acompanhada e não sozinha de que o Fundeb vai dar R$4,5 bilhões. Claro que não serão R$4,5 bilhões! Graças às reformas feitas na Câmara, chegará a R$1,9 bilhão.
Mas o pior é dizer que essas R$4,5 bilhões, que não virão, serão capazes de mudar a realidade da educação brasileira. Não serão capazes disso. É uma mentira, somada a outras mentiras, como a mentira do Land Rover, a mentira do mensalão, a mentira do dinheiro na cueca, e todas as mentiras ditas e repetidas nas publicidades do Governo como instituição, pagas com dinheiro público, ou ditas na boca das pessoas do Governo. Isso está provocando a corrupção adicional e nós, povo brasileiro, de tanto nos acostumarmos a ver nossos líderes mentindo, começaremos a tratar isso como uma banalidade, como algo normal, como algo que aquele que não faz é quem está errado.
Aí chegaremos a uma situação mais grave ainda, em que toda a população brasileira, de tão acostumada à repetição das mentiras, começará a mentir para si mesma e participar do processo eleitoral mentindo para o Brasil inteiro, votando nos mesmos.
Dentro de minha ingenuidade política, acredito que o voto nulo seja a maior prova de covardia que o povo brasileiro possa dar num processo eleitoral. No meu entender, essa prática não se constitui em protesto, mas em omissão.
Abaixo, um discurso do Senador Cristovam Buarque (candidato à presidência pelo PDT), proferido no plenário do Senado no dia 10 de abril de 2006.
Em seu site http://www.cristovam.com.br você pode ler outros e entender o motivo pelo qual o Senador tem meu voto.
"...O que quero chamar a atenção é de que há outras formas de corrupção. Outra ainda mais grave do que a do "mensalão" é a corrupção permanente nas prioridades (...), uma espécie de corrupção do "seculão".
Há cinco séculos que temos essa corrupção, em que os recursos públicos não vão para libertar, emancipar, corrigir as distorções que a sociedade brasileira tem. Mas ainda há uma outra corrupção, que é a corrupção psicológica, que estamos vivendo. De tanto serem repetidas mentiras estamos criando no imaginário brasileiro, na população, na maneira como todos pensam, sobretudo nos jovens, a corrupção de pensar que não há política sem mentira e que a mentira é a regra a ser seguida por todos os políticos.
É sobre esse tipo de corrupção psicológica, de repetição de mentiras, que quero falar, lembrando algumas bem recentes. Por exemplo, a mentira de dizer que o mensalão não existiu. Isso foi repetido, insistido, quando de fato está aí a prova de que houve o mensalão, de que houve o pagamento repetido a Parlamentares para que votassem conforme o Governo precisava. Não apenas houve mensalão, mas também a mentira de dizer que não houve.
Outro exemplo é a mentira feia da quebra do sigilo bancário do caseiro. A quebra do sigilo foi uma corrupção, porque foi um crime, mas foi também corrupção mentir dizendo que não houve a quebra do sigilo. Como é que a nossa juventude vê o Presidente da Caixa Econômica Federal abrir uma comissão de inquérito, dar o prazo de 15 dias para descobrir quem quebrou o sigilo, se ele próprio tinha quebrado esse sigilo?
A corrupção da quebra do sigilo se alia à corrupção da mentira de dizer que o sigilo não tinha sido quebrado pelo Presidente da Caixa. Depois, houve a mentira de dizer que quem determinou a quebra do sigilo tinha sido o Ministro da Fazenda. Essa mentira pouca gente vê como uma forma de corrupção tão criminosa na política, quanto a quebra do sigilo em si é um crime diante do Código Civil.
Mas, no fundo não são só essas. Se analisarmos mais, há aquela mentira de que as dezenas de milhares de dólares carregados em uma cueca eram para abrir um negócio. Para abrir negócio não precisa carregar dinheiro na mão, quanto mais na cueca, como se viu. É claro que era um crime político o que estava acontecendo ali! É claro que era dinheiro sujo, senão não se carregaria naquele lugar! Mas também há a mentira de se dizer que a finalidade do dinheiro era legítima. Se o dinheiro tivesse sido levado em outro lugar, e não na cueca, a mentira continuaria igual.
Há a mentira de um líder do PT que disse não ter recebido qualquer benefício de um determinado empresário e, de repente, surpreende-nos por ter na garagem de sua casa um Land Rover doado pelo empresário.
Essa mentira é uma corrupção tão grave naquele que exerce um cargo público quanto receber um presente de um empresário. Mas, às vezes, pensamos que a corrupção é apenas o deslocamento de dinheiro de um lugar para outro, e não a mentira de dizer que esse deslocamento não houve. A mentira na política é uma forma de corrupção tão grave quanto se apropriar do dinheiro público. Acostumamo-nos tanto a ver tudo em função do dinheiro e da economia, que não tratamos a mentira como uma grave forma de corrupção política.
E a corrupção da mentira degrada o sistema político brasileiro, desagrega a confiança no próprio Presidente da República em torno do qual as mentiras tenham ocorrido. Esta semana provavelmente virá aqui o Ministro da Justiça que está negando que participou do acobertamento, durante alguns dias, da quebra do sigilo. Veja bem, se o Ministro participou daquilo é algo gravíssimo! No entanto, se, além de ter participado, ele mentiu, é um agravante adicional! E é essa agravante adicional da mentira que estou chamando atenção aqui: a corrupção na psicologia da opinião pública. Isso passa a ser um exemplo para as crianças na escola, na família, passa a ser um exemplo para a juventude, um exemplo nocivo.
Mas as mentiras que temos visto nos últimos anos não são apenas aquelas relacionadas à corrupção no comportamento dos políticos. Há uma corrupção também na mentira de prometer algo que não será feito ou que não foi feito. E é uma mentira também dizer que se fez o que não foi feito. É outra mentira também dizer que o que foi feito tem um tamanho maior do que se imagina e vai ter. Por exemplo, o Programa Bolsa Família tem uma dimensão - devemos reconhecer - que é um avanço administrativo em relação ao que fez o Governo FHC com os seus programas de bolsas. Mas é uma mentira dizer que é um programa emancipador da realidade social do povo brasileiro. O Bolsa Família, se não vier acompanhado (...) de um programa educacional revolucionário para todos, continuará sendo para sempre um programa de assistência, exigindo cada vez mais recursos e produzindo cada vez menos efeito. É uma mentira dizer que o Bolsa Família, como está, resolverá qualquer problema do Brasil. E essa mentira é tão grave quanto mentir dizendo que não tem nada a ver com a quebra do sigilo bancário do caseiro.
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continua no próximo post.
Já na segunda temporada, o foco está na própria ilha, mostrando os conflitos de personalidade entre os sobreviventes. O enigma dessa vez gira em torno do significado da ilha, trazendo um novo cenário que é a misteriosa escotilha habitada por apenas uma pessoa (Desmond), o encarregado de a cada 108 minutos, digitar a sequência de números (4, 8, 15, 16, 23, 42) em um sistema antigo de computadores. A soma dessa sequência curiosamente resulta no número 108. Esse tempo de 108 minutos é decorrente de um "incidente" em uma experiência (ainda desconhecida) feita por uma empresa chamada Dharma, que tem seu símbolo espalhado pela escotilha. Caso essa sequência não seja digitada corretamente, teoricamente acontecerá um desastre de proporções mundiais (desastre ainda desconhecido também). Após um acidente no computador, o único habitante dessa escotilha foge deixando o trabalho para os personagens principais da série que passarão a se revezar em turnos para apertar o temido botão. Essa sequência de números também acompanham os personagens em vários momentos, como por exemplo o vôo que eles tomaram era o 815 (8 e 15), que decolou do portão 23 e tinha o tempo previsto de 16 horas de viagem. (*)Os números têm um significado maior para o personagem Hurley que ganhou na loteria com esses números. Junto com o dinheiro veio uma onda de azar para ele e para todas as pessoas ao seu redor.
O criador da série, J. J. Abrams, sempre está na mídia soltando algumas dicas, aumentando a especulação dos fãs sobre um possível final para a série, colocando em xeque até mesmo os aspectos físicos da ilha, deixando a dúvida se eles estão realmente em uma ilha. O que realmente é fato até agora é que os sobreviventes estão em uma espécie de experiência e que todos estão lá por algum motivo predeterminado. O desenrolar desses mistérios ainda é desconhecido. O autor da série diz que tudo que está acontecendo na história tem uma explicação científica.
A curiosidade dos telespectadores é tamanha, que todos os dias surgem milhares de teorias sobre o assunto, como a de que todos eles já estariam mortos e estão em uma espécie de purgatório. Outras teorias alegam que tudo isso é produto da loucura de apenas um dos sobreviventes (no caso, Jack, o médico) e que nada daquilo e nem as pessoas existiriam. Outra tese é relacionada a extraterrestres. Todas já foram descartadas pelo autor da série, de certa forma aumentando a criatividade nas teorias futuras, criando umas até mais coerentes cientificamente. Entre elas existem algumas muito interessantes, como a de que a ilha é na verdade uma instalação militar ou obra de uma grande empresa. Esta área teria sido parte de um projeto antigo, chamado Dharma, que inclui estudos psíquicos e paranormais. Esse projeto já teria sido abortado há alguns anos, mas alguns funcionários teriam prosseguido com ele por conta própria, em busca de estabelecer uma nova ordem mundial, a partir de experiências com crianças, para que essas pudessem dar continuidade ao projeto. Outra teoria muito boa tem relação com o livro "Presa" (Prey) de Michael Crichton, devido a uma grande semelhança de acontecimentos. Na versão do livro, haveria uma equipe enviada a determinado local para limpar os restos de uma experiência infrutífera. No caso, essa experiência teria relação com tecnologia, mais precisamente com os nanorobôs, que de tão pequenos andariam em forma de fumaças negras (semelhante ao "monstro" de Lost). As semelhanças entre o livro e a série não param por aí: os nanorobôs do livro podem erguer objetos e pessoas, além de habitarem o subsolo. Na série, as árvores não são levantadas e sim sugadas para o chão. No livro os nanorobôs têm a capacidade de entrar nas pessoas e controlá-las causando alucinações. Na série as alucinações são constantes. Todos os sobreviventes as têm, além do fato de Locke poder andar, mesmo sendo deficiente. Isso pode ser atribuído aos nanorobôs que exerceriam um poderoso controle sobre a sua forma física. No livro, os nanorobôs têm a capacidade de imitar formas humanas e outras formas de vida refletindo a luz solar, que talvez explique na série, o fato de no início da primeira temporada, Sawyer ter matado um urso polar que tentou atacá-los, lembrando que eles estão em uma ilha tropical, o que seria impossível de acontecer em uma situação normal. Sendo assim, poderíamos explicar os estranhos acontecimentos na primeria temporada, onde vemos o pai de Jack (que já havia falecido e não estava no avião)(**) guiando-o até um ponto onde havia água corrente em abundância, e por último a semelhança no nome dos protagonistas, que tanto na série quanto no livro se chamam Jack. Essas semelhanças são interessantes e chamam atenção principalmente pelo fato de J.J. Abrams ser fã assumido de Michael Crichton, tendo inclusive afirmado que o episódio piloto da série iria seguir o esquema narrativo do autor.
Essas teorias são muito inteligentes e se encaixam perfeitamemnte na explicação dos porquês da série, mas nenhuma certeza existe sobre elas ou sobre o verdadeiro fim, que já está escrito e guardado a sete chaves por J.J. Abrams. Com isso só resta a nós telespectadores esperar pacientemente, assistinndo os episódios até que chegue o tão esperado final. O que eu desejo é que realmente o final seja tão bom ou mesmo melhor do que toda a série. E que seja mais criativo do que todas as teorias desenvolvidas pelos fãs."
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(*) Além disso, os números aparecem em diversas outras situações na série. Sem contar que o assento de Jack no avião era o 23 e o de Ana-Lucia, o 42.
(**) Seu corpo estava sendo transportado no avião para seu sepultamento nos EUA.
Estava pensando em escrever alguma coisa sobre LOST. Quem me conhece sabe que eu sou fã incondicional da série. Mas, achei no site http://www.omartelo.com/materia1.html#inicio um texto excelente, escrito por Paulo Gustavo e resolvi aproveitá-lo.
Não conheço ninguém que tenha visto ao menos um episódio de Lost e não tenha, no mínimo, ficado curioso. A grande maioria fica viciada e passa a não perder mais nenhum. Comigo foi assim. Quando comecei a assistir, a 1a. temporada já estava pela metade. Corri a baixar os episódios anteriores para não perder nenhum detalhe. E haja detalhes! Mas não vou ficar falando o que o texto aí em baixo já diz. Só gostaria de acrescentar que não acredito que no meio da trama tenha um John Locke, uma Rousseau e um projeto Dharma em vão. Não sei se os nomes são apenas uma homenagem. Acho que tem - e muito - a ver com os mistérios da ilha.
Então, amanhã falo mais sobre isso. Vamos ao texto.
OS SEGREDOS DA SEGUNDA TEMPORADA DA SÉRIE LOST
Por Paulo Gustavo
(...) Atualmente existe uma nova série, de grande sucesso mundial, que vem atraindo milhares de fãs: Lost, a nova febre da TV. Somente o orçamento do episódio piloto da série custou 10 milhões de dólares (um recorde na história da televisão americana). O tema central tem como base o dia-a-dia de um grupo de sobreviventes de um acidente de avião em uma ilha pra lá de misteriosa. Até aí, o tema poderia soar meio “batido”, mas os mistérios que envolvem a ilha são o grande atrativo da série: do momento da queda do avião até a personalidade dos sobreviventes. Por que estão ali? Por que eles? O que são? O que fazem? Unidos a um conjunto de enigmas interessantes e inteligentes, conectados diretamente com o passado dos sobreviventes, o roteiro de Lost nos faz passar horas e às vezes dias pensando como será o próximo capítulo da série. A solução desses enigmas é o segredo do sucesso. Lost teve sua estréia “oficial” no Brasil através da Rede Globo no começo desse semestre e devido ao grande sucesso (15 pontos de Audiência, quase o dobro da audiência do programa do Jô) já está confirmado para janeiro/fevereiro de 2007, a exibição de sua segunda temporada, que atualmente está em andamento na rede ABC americana e às segundas na AXN no Brasil.
A primeira temporada se baseou na apresentação dos personagens que tem personalidades pra lá de interessantes: variam entre um médico disciplinado (Jack), uma fugitiva da polícia (Kate), um militar iraquiano (Sayid) e até mesmo um deficiente físico que misteriosamente voltou a andar após o acidente (Locke). Nessa primeira temporada, o enigma principal gira em torno de uma escotilha encontrada no meio da floresta, que deixa os personagens curiosos, principalmente após a presença de um estranho “monstro” que percorre a floresta fazendo ruídos ainda mais estranhos (na verdade uma espécie de fumaça negra que foi revelada no último episódio da primeira temporada) e também de outros indivíduos desconhecidos que rondam o acampamento provocando momentos de pânico e deixando o telespectador cada vez mais curioso.
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Infelizmente o provedor não deixou que eu postasse o texto todo. Amanhã continuo, então.
O Portal Literal dispensa apresentações. O nome já diz tudo. Lá estão os sites oficiais de Ferreira Gullar, Luis Fernando Veríssimo, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca e Zuenir Ventura.
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